domingo, 6 de dezembro de 2009

Péricles +Democracia ateniense

[] Atenas, berço da democracia
Atenas foi fundada na Ática, península do mar Egeu, pelo jônios, que ali se estabeleceram de forma pacífica, ao lado de eólios e aqueus, antigos habitantes da região. No início, o poder político estava sob o controle dos eupátridas, donos das terras mais produtivas.

Na cidade, um soberano, chamado basileus, comandava a guerra, a justiça e a religião. Uma espécie de conselho, o Areópago, limitava seu poder. Com o tempo, os basileus perderam a supremacia e se transformaram em simples membros de um órgão denominado Arcontado.

A partir do século VIII a.C., essa organização política sofreu profundas mudanças. Após a expansão territorial, ocorrida durante Segunda Diáspora, os portos naturais e a privilegiada posição geográfica de Atenas favoreceram o intercâmbio comercial com as novas colônias.

Como conseqüência imediata da diversificação das atividades econômicas, houve uma considerável mudança no quadro social. Assim, comerciantes e artesãos enriquecidos passaram a pressionar a aristocracia por maior participação no poder. Ao mesmo tempo, a população mais pobre protestava cada vez mais contra as desigualdades sociais.

Diante da enorme pressão, os eupátridas viram-se obrigados a fazer concessões. Com o objetivo de conciliar os conflitos, passaram a escolher legisladores entre os integrantes da aristocracia, homens especialmente indicados para elaborar leis. Dois desses legisladores foram Drácon e Sólon.

Drácon e Sólon
Drácon tornou-se legislador em 621 a.C. e foi responsável pela introdução do registro por escrito das leis em Atenas – até então elas eram orais. A cidade passou a ser governada com base em uma legislação e não mais conforme os costumes. A mudança enfraqueceu o poder dos eupátridas, mas não resolveu os problemas sociais, e os conflitos continuaram.

Em 594 a.C., Sólon deu início a reformas mais profundas. Perdoou as dívidas e as hipotecas que pesavam sobre os pequenos agricultores, e aboliu a escravidão por motivo de dívida. Criou a Bulé, um conselho formado a princípio de quatrocentos membros, responsável pelas funções administrativas e pela preparação das leis. Tais leis tinham de ser submetidas à apreciação da Eclésia, ou Assembléia, formada por indivíduos livres do sexo masculino. Além de votar as propostas de leis, a Eclésia deliberava sobre assuntos de interesse geral.

No âmbito político, Sólon limitou o poder da aristocracia e ampliou o número de participantes da vida pública da cidade. Seu reforma representou um passo decisivo para o desenvolvimento da democracia, consolidada posteriormente na legislação de Clístenes. Os conflitos sociais entre aristocratas, comerciantes, artesãos e pequenos proprietários de terras, entretanto, não acabaram. Depois do governo de Sólon, a cidade foi palco de grandes agitações sociais.

Em meio a essas agitações, surgiu um novo tipo de líder político, o “demagogo”, que mobilizava a massa popular em oposição aos aristocratas. Ao chegarem ao poder, esses líderes governavam de forma ditatorial, adotando medidas de apelo popular. Foram chamados de tiranos pelos gregos. O mais conhecido deles foi Psístrato, que, com alguns intervalos, exerceu o poder entre 560 e 527 a.C.

Clístenes e a democracia ateniense
Ver artigo principal: Democracia ateniense
Em 507 a.C., Clístenes assumiu o comando de Atenas e realizou um vasto programa de reformas, no qual se estendeu os direitos de participação política a todos os homens livres nascidos em Atenas: os cidadãos. Desse modo, consolidava-se a democracia ateniense.

A participação política, contudo, era restrita a 10% dos habitantes da cidade. Ficavam excluídos da vida pública, entre outros, estrangeiros residentes em Atenas (os chamados metecos), escravos e mulheres, ou seja, a maior parte da população. Que na época era de 400 000, dividida em 40 000 "cidadãos", 100 000 de metecos (ou estrangeiros), 200 000 de escravos e 60 000 de mulheres e crianças.[carece de fontes?]

Apesar desses limites, a democracia ateniense foi a forma de governo que, no mundo antigo, mais direitos políticos estendeu ao indivíduo. Com as reformas de Clístenes, as funções administrativas ficaram a cargo da Bulé,ou Conselho dos 500. Seus integrantes eram sorteados entre os cidadãos. Clístenes fortaleceu ainda a Eclésia, que passou a se reunir uma vez por mês para discutir e votar leis, além de outros temas de interesse geral dos cidadãos. Os assuntos militares ficaram sob a responsabilidade dos estrategos.

Atribuiu-se a Clístenes ainda a instituição do Ostracismo, que consistia na suspensão dos direitos políticos e no exílio por dez anos dos cidadãos considerados perigosos para o Estado.

A cidadania entre os gregos
A cidadania era muito mais imediata e tangível para um ateniense do que para o cidadão de uma nação moderna. Nenhuma desgraça podia ser maior do que a perda dos direitos de cidadão. O ateniense vivia numa cidade cujo corpo de cidadãos nunca passou de 50 mil (aproximadamente a oitava parte da população total, por volta do ano 400 a.C.).

Todo ano havia para o cidadão ateniense a expectativa de servir no exército ou na frota. Todo ano poderia reunir-se com outros milhares na Eclésia ou ser colocado na lista anual de 6 mil pessoas entre as quais, segundo as necessidades, eram sorteados os jurados para os tribunais populares. No mundo grego antigo, porém, isso significava que Atenas tinha uma população de cidadãos bem maior do que a de qualquer outro das centenas de Estados gregos espalhados desde a Espanha até o sul da Rússia de hoje.

Além disso, Atenas era uma cidade extraordinariamente cosmopolitana. Um ateniense podia observar milhares de imigrantes temporários ou permanentes de outras cidades gregas ou terras não gregas trabalhando à sua volta, muitas vezes fazendo o mesmo trabalho que ele sem, contudo, compartilhar de nenhum de seus direitos de cidadão. A característica mais marcante da cidadania do ateniense é que, quando viajava para além dos limites de sua própria polis, era imediatamente privado de seus direitos políticos.

As póleis gregas mantiveram seu sentido de comunidade política através de leis de cidadania escritas e geralmente exclusivas. Atenas tinha leis de cidadania que eram escritas até pelos padrões gregos. Após a lei de cidadania promulgada por Péricles em 451, só os homens que tivessem a mãe e o pai atenienses podiam ser cidadãos. [1]

Mulheres de Atenas
As mulheres tinham menos liberdade em Atenas do que em Esparta. Casavam-se muito jovens, entre 15 e 18 anos, conforma a escolha dos pais. Após o casamento, tinham de prestar obediência ao marido. As mais ricas viviam reclusas em uma área da casa denominada gineceu. As mais pobres eram obrigadas a trabalhar. O marido tinha o direito de devolver a esposa aos pais dela em caso de esterilidade ou adultério.

Diferentemente de Esparta, em Atenas não havia escolas públicas, embora a educação fosse obrigatória. Quando a criança chegava aos 7 anos, cabia ao pai enviar o filho a um mestre particular.

A vida escolar se compunha em geral, de um primeiro momento chamado música, que compreendia o aprendizado da cultura literária e da música propriamente dita. Depois dos 18 anos, os que podiam continuar estudando freqüentavam as lições de retórica e de filosofia.


Democracia ateniense

A democracia ateniense era formada com a participação de cidadãos atenienses (adultos, filhos de pai e mãe ateniense) que correspondiam a uma minoria, pois eram excluídos os estrangeiros, escravos e mulheres.

509 a. C. - seguras sobre a quantidade de população, cidadãos ou escravos durante o período da Atenas democrática. Contudo, é verdadeiro que a Democracia de Atenas não satisfaz os critérios modernos, já que não havia eleições: os magistrados eram sorteados, uma vez que segundo a crença democrática, a eleição leva à aristocracia, e as decisões políticas eram tomadas em assembléias em que todos os cidadãos podiam participar, tanto com a palavra quanto com o voto.
Reuniam-se em praça pública ágora formando a Eclésia (Assembléia política) para ouvir os demagogos (orientadores do povo).

O legislador grego Clístenes instaurou institucionalmente a democracia em Atenas, há 21 anos os cidadãos – adultos masculinos nascidos em Atenas – passaram a decidir os destinos da pólis na ágora, a praça pública. Era a chamada “democracia direta”. Demokratia: os cidadãos (demos) detinham o poder político (kratos) do Estado. Em seu famoso discurso fúnebre, o Epitáfio, Péricles a definiu: “o regime ateniense se chama democracia, pois o governo do Estado não está nas mãos de poucos, mas de muitos”.

[editar] Sociedade de Atenas
Cidadãos - A este grupo pertenciam os homens residentes em atenas e filhos de pais atenienses, com 20 anos (ou mais) e com serviço militar cumprido.
Metecos (estrangeiros) - sem privilégios políticos. Podiam, entretanto, exercer actividades sociais e intelectuais.
Escravos - Muitos deles ocuparam posição de destaque na educação do jovem ateniense e nas realizações intelectuais.
O prestígio de Atenas, no século V a.C., não derivava apenas do poderio que atingira no mundo helénico. A sua forma de organização social e política, a democracia, tornou-se um modelo imitado por muitas outras cidades. Os principais defeitos da democracia ateniense eram: a existência de escravos, só uma minoria dos habitantes, os cidadãos, tinham todos os direitos e Atenas exercia imperialismo sobre as outras cidades da liga de Dellos.

Esta foi uma conquista que o povo ateniense, só alcançou no final do século VI a.C. porque até aí, a polis tinha sido dominada, primeiro pelos grandes proprietários aristocratas, depois pelos cidadãos mais ricos. Nessas épocas os camponeses pobres e os artesãos não gozavam dos mesmos direitos que os poderosos. Tiveram que lutar ao longo dos anos para obterem progressivamente mais poderes, até que, com as reformas realizadas por Clístenes em 508 a.C., foi reconhecida a igualdade de todos os cidadãos. Mas na verdade eles fizeram de propósito para que os cidadãos o seguissem. A Democracia ateniense não tinha a mesma concepção que se costuma conferir ao termo "democracia" atualmente, pois hoje, dentre outras coisas, ela prima pela igualdade de direitos entre todas as pessoas.

Por ser uma cidade bem sucedida e comercial, Atenas despertou a cobiça de muitas cidades gregas. Esparta se uniu a outras cidades gregas para atacar Atenas. A Guerra do Peloponeso (403 a 362 a.C.) durou 41 anos e Esparta venceu, tomando a capital grega para si, que, a propósito, continuou riquíssima culturalmente. Toda esta riqueza cultural conquistou os espartanos vencedores.

Alguns dos maiores nomes do mundo viveram nesta região repleta de escritores, pensadores e escultores, entre eles estão: os autores de peças de teatro Ésquilo,Sófocles, Eurípedes e Aristófanes e também os grandes filósofos Platão e Sócrates.

Atenas destacou-se muito pela preocupação com o desenvolvimento artístico e cultura de seu povo, desenvolvendo uma civilização de forte brilho intelectual. Na arquitetura destacam-se os lindos templos erguidos em homenagens aos deuses, principalmente a deusa Atena, protetora da cidade.

A democracia ateniense privilegiava apenas seus cidadãos (homens livres, nascidos em Atenas e maiores de idade) com o direito de participar ativamente da Assembléia e também de fazer a magistratura. No caso dos estrangeiros, estes, além de não terem os mesmos direitos, eram obrigados a pagar impostos e prestar serviços militares.

Tanto Esparta quanto Atenas, eram cidades evoluídas e, em pleno século VI a.C., a forma de governo em ambas era democrática. Hoje em dia esta cidade tem mais de dois milhões e meio de habitantes, e, embora tenha inúmeras construções modernas, continua com suas ruínas que remetem aos tempos antigos.

[editar] Ver também
História da democracia em Atenas
Sócrates teve uma influência muito grande no início da democracia, pois com as idéias socráticas, os atenienses acreditaram que finalmente poderiam opinar sem temer represálias.

[editar] Requisitos para ser Cidadão
Não dever nada ao Tesouro Público
Ser legitimamente casado
Possuir bens em Atenas
Ter cumprido os deveres para com seu pai e mãe
Ter feito expedições militares sem “arremessar o escudo”
Ser filho de pais atenienses
Trabalhar (ou na politica ou no comercio ou na construção) de Ágora
Gostar, amar e honrar Atenas
Pagar impostos altos.
Nunca ter cometido crime contra a cidade,
Ser maior de 20 anos
Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Democracia_ateniense"




Péricles






Busto de Péricles com a inscrição "Péricles, filho de Xantipo, Ateniense". Cópia romana em mármore de um original grego, c. 430 a.C. (Museus Vaticanos, Roma).Péricles (em grego Περικλῆς; c. 495/492 a.C. - 429 a.C.) foi um estratego e político grego, um dos principais líderes democráticos de Atenas e a maior personalidade política do século V a.C. Viveu durante a Era de Ouro de Atenas, e sua presença foi tão marcante que o período compreendido entre o final das Guerras Médicas (448 a.C.) e sua morte (429 a.C.) é chamado o Século de Péricles.

Péricles nasceu de uma família da nobreza ateniense, os Alcmeônidas, descendente do líder reformista Clístenes, responsável pela introdução da maioria das instituições democráticas, durante a revolução de 510 a.C.. Eleito e reeleito várias vezes como estratego-chefe (strategos-arconte), acumulou a chefia civil e a liderança militar da cidade, fazendo com que Atenas alcançasse a maior projeção política, econômica e cultural em toda a sua história.

Péricles foi o maior responsável por muitos dos projectos de construção que incluem muitas das estruturas sobreviventes da acrópole, tendo encarregado o escultor também ateniense Fídias como o supervisor do programa de embelezamento da cidade.

O próprio Péricles persuadiu a cidade a construir muralhas de mais de 4 milhas até ao porto de Atenas. Reconstruiu Atenas, que havia sido destruída nas Guerras Médicas com dinheiro da liga de Delos. Sua realização menos notável talvez tenha sido a exploração de outras cidades como forma de subsidiar o florescimento da democracia ateniense.

Péricles começou a sua vida política ainda bastante novo. Foi discípulo de Daman, Zenão e Anaxagoras. Anaxagoras ensinou retórica a Péricles.

Címon era um político rival de Péricles. Címon, um homem grandioso, ganhou fama e apoiantes entre o povo ao usar o seu próprio dinheiro para ajudar os atenienses que precisavam de assistência. Para contornar Címon, Péricles gastou dinheiro público para construir novos projectos.

Péricles podia eventualmente ter expulso Címon da cidade por um período de tempo. Entretanto, antes de seu período de exílio, Címon teve a oportunidade de liderar os ateniense em uma batalha contra Esparta. Alguns amigos de Péricles afastaram Címon da batalha o que prejudicou os atenienses. Nesse ponto, Péricles pode olhar além de suas próprias ambições e chamar Címon de volta de modo que Atenas pudesse ser vitoriosa.

Péricles concentrou-se então em fortalecer Atenas e melhorar sua infra-estrutura. Entretanto, durante a sua liderança de quarenta anos foi cauteloso e não fazia avanços sobre os oponentes sem primeiramente pesar as suas opções e medir as suas perdas possíveis. Apaixonou-se por uma mulher de nome Aspasia que ele tratava como igual, algo que não era comum na sociedade ateniense da época, onde as mulheres se submetiam ao controle dos homens.

Péricles é referenciado frequentemente como o fundador da democracia em Atenas. Entretanto, os estudos críticos recentes moldaram a dúvida sobre isto e descreveram a formação da democracia como um processo lento. O crédito por criar a primeira democracia no mundo vai às circunstâncias sociais, políticas e económicas que um único indivíduo poderia influenciar, mas não criar.

Péricles começou a perder respaldo em Atenas apesar de ainda manter o poder. Os espartanos atacaram e forçaram Atenas a se preparar para um batalha. Durante a batalha, um praga espalhou-se atingindo Atenas e seus aliados, mas não aos seus inimigos, matando muitos, inclusive Péricles e a maior parte de sua família.

Entretanto, depois que Péricles perdeu seu último filho ateniense, os atenienses promoveram uma mudança na lei que fez de seu filho não ateniense um cidadão e um herdeiro legítimo.

As informações que nós temos sobre Péricles é distorcida por séculos de lendas e mitos. A biografia que a maioria de povos detém foi escrita por Plutarco, que viveu aproximadamente 500 anos após Péricles. Plutarco estava mais interessado em estudar o carácter do homem do que escrever sua história.



Péricles
500 a.C., Atenas (Grécia)
429 a.C., Atenas (Grécia)




Péricles queria fazer de Atenas uma democracia equilibrada entre poderes do Estado e do cidadão


Péricles pertencia uma das mais nobres famílias de Atenas, os Alcmeônidas. Era um homem de caráter forte, sóbrio, incorruptível e reservado. Foi eleito estratego (cada um dos dez magistrados da antiga Grécia, que compunham uma espécie de poder executivo, para cuidar especialmente das medidas de natureza militar), sem interrupções, de 443 a.C. a 429 a.C. Mas há informações de que, desde 460 a.C., ele tinha grande ascendência sobre a cidade de Atenas, graças ao poder da sua oratória, ao seu caráter e à sua habilidade política.

A autoridade de Péricles era tão grande que o período de seu governo passou a ser conhecido como a Época de Péricles. E o historiador Tucídides afirma que, sob a liderança de Péricles, Atenas, embora fosse uma democracia, foi dirigida, de fato, por seu melhor cidadão.

O objetivo político de Péricles era fazer de Atenas uma democracia ideal, em que houvesse equilíbrio entre os interesses do Estado e dos cidadãos. Também pretendia que Atenas exercesse liderança sobre toda a Grécia.

Seguindo esses objetivos, ele tentou realizar a união política da Grécia. Contudo, por causa do espírito conservador de Esparta, mas também pelo anseio de independência das outras cidades-Estado gregas, sua tentativa falhou.

Diante disso, Péricles adotou uma política imperialista - e a Confederação Délia, criada para opor-se às investidas persas, converteu-se num império ateniense. Seguindo tal política, ele estendeu a influência de Atenas até o mar Negro.

Os historiadores não sabem, ao certo, até que ponto Péricles foi responsável pela política que resultou no envolvimento de Atenas na guerra contra Esparta e Corinto. Mas quando a revolta eclodiu, em 431 a.C., Péricles determinou uma política voltada a derrotar a superioridade espartana em terra, o que causou grandes sofrimentos à população.

Aproveitando a oportunidade, os adversários de Péricles acusaram-no de malversação do dinheiro público, fazendo com que o estadista fosse condenado, em 430 a.C., a uma multa de 50 talentos (moeda corrente da época). Apesar disso, Péricles foi reeleito estratego, morrendo, entretanto, no ano seguinte.


Obras e inimigos
Péricles tornou-se famoso também pelas grandes obras públicas, principalmente o Partenon (templo da deusa Atena), o Propileus (grande portal e única entrada da Acrópole ateniense) e a Muralha Longa, entre Atenas e o Pireu (o principal porto da cidade).

Os principais adversários de Péricles foram Címon, favorável a uma política de relações amistosas com Esparta, e Tucídides, filho de Melesias. Este último levantou contra Péricles uma acusação de apropriação indébita de dinheiro pertencente à Confederação Délia. Os atenienses, contudo, mostraram-se favoráveis a Péricles contra ambos os adversários, condenando-os ao ostracismo (desterro político pelo período de dez anos).

O historiador Tucídides transcreveu em sua obra a famosa Oração fúnebre de Péricles, que o estadista teria pronunciado durante as cerimônias em homenagem aos atenienses mortos no primeiro ano da Guerra do Peloponeso.



O Pártenon: beleza e discórdia

Mais intensamente desde os anos 70, sucessivos governos gregos têm insistido junto às autoridades inglesas para que sejam recambiadas de volta à Atenas, a fim de serem novamente expostas no Pártenon, uma série de esculturas e métopas que foram retiradas da acrópole por Lord Elgin, que as vendeu em 1802, ao Museu Britânico, onde até hoje elas se encontram. Os ingleses, porém, sempre lhes negaram a devolução. Agora, pela primeira vez, a maioria dos parlamentares britânicos manifestou-se estar de acordo com o retorno dos Mármores de Engin para a velha Hélade. Saiba a história da construção do Pártenon, iniciado a 25 séculos atrás, e os problemas que, desde então, o belo templo causou.

O Pártenon



A política de Péricles


Péricles (495-429 a.C.)
A decisão de iniciar a construção de um templo, o Pártenon (em louvor à deusa da cidade, Atena pártenos), que viria a ensombrar todos os demais santuários até então conhecidos pelos gregos, foi de Péricles, o principal líder do partido democrático de Atenas. Nascido em 495 a.C., em meio a uma família da nobreza atenienses, descendente do líder reformista Clístenes, responsável pela introdução da maioria das instituições democráticas, durante a revolução de 510 a.C., Péricles consagrou-se como a maior personalidade política do século 5 a.C.. A presença dele foi tão marcante, que a época em que ele viveu denominou-se de O Século de Péricles. Eleito e reeleito várias vezes como estratego-chefe (strategos-arconte), ele acumulou a chefia civil e a liderança militar da cidade, fazendo com que Atenas alcançasse a maior projeção política, econômica e cultural em toda a sua história.





Friso do Partenon


Atenas e a Liga de Delos

No ano de 480 a.C., quando Péricles era ainda um adolescente, o exército persa invadiu a Grécia e ocupou Atenas, incendiando-lhe a acrópole, local mais elevado onde encontravam-se os principais templos dos cultos urbanos. Pouco depois, porém, graças às duas vitórias gregas, uma na batalha naval de Salamina e, outra, na planície de Platéias, os invadidos conseguiram expulsar os comandados do rei Xerxes. Como Atenas foi a cidade que mais empenhou homens e recursos para garantir a Eleutéria (a liberdade da polis perante o estrangeiro), ela assumiu naturalmente a liderança do mundo helênico. As naus atenienses e seus hoplitas (soldado encouraçado de infantaria), mostraram-se os mais eficientes na manutenção da independência de todos os gregos.

O passo seguinte, depois de afastado o perigo persa, foi a organização de uma Liga que federasse a maioria das poléis, as cidades gregas espalhadas pelo continente, pelas ilhas e outra margens do Mar Egeu, formando uma associação defensiva entre elas. Atenas sugeriu que, num primeiro momento, os fundos dessa liga fossem depositados no santuário de Delos, dai chamarem-na de Confederação ou Liga de Delos (que durou de 478 a 431 a.C.). O tesouro federal, mantido por 265 cidades, seria utilizado caso os persas voltassem a ameaçar os gregos. Esparta, a cidade rival de Atenas, que não participara da guerra, negou-se também a integrar a federação.



Vista idealizada da acrópole nos tempos de Péricles


Péricles saca os recurso federais

Assumindo a liderança de Atenas, depois de ter neutralizado o seu rival Tucídides (não o grande historiador), chefe do partido oligárquico, Péricles defendeu a idéia que Atenas deveria reconstruir os seus santuários, arrasados anos antes pelos persas, com o dinheiro do tesouro federal. Ele não tinha nenhum constrangimento em fazer isso, visto que Atenas fora a líder da resistência, e, em seguida, realizara a contra-ofensiva que expulsara os inimigos do solo grego. Fazendo aprovar uma lei de 449 a.C., decorrente de terem os gregos assinado a Paz de Callis com os persas, ele transferiu o tesouro para Atenas e dele sacou 5 mil talentos para financiar os fundamentos das obras. Simultaneamente, enviou emissários a várias cidades para que aceitassem a formação de uma unidade helênica, tendo Atenas como a capital.



A política imperial do grande estratego recebeu forte oposição de todos os lados. Muitas cidades, integrantes da Liga, ampliada a essa altura para 300 poleis, acharam que Atenas se tornava dia a dia um opressor intolerável, pior talvez do que os persas que, afinal, estavam longe. Naturalmente, acharam que o dinheiro retirado por Péricles para embelezar a cidade dele era um abuso de confiança. Insatisfação que irá servir como motivo para que bem mais tarde, em 431 a.C., muitas delas rebelem-se abertamente contra Atenas, jogando a Grécia inteira na infeliz Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.), que arruinou com a economia e a cultura helênica.

Internamente, a oposição acusou-o de ser um esbanjador dos recursos públicos, de malbaratar os impostos em gastos suntuosos, mas Péricles alegou em seu favor que sua política de obras públicas dava emprego a carpinteiros, pedreiros, decoradores, ceramistas, oleiros, isso sem esquecer a oportunidade dada aos grande artistas da Hélade inteira, como o escultor Fídias. Todo o tostão posto nas construções, assegurou-lhes Péricles, teria um excelente retorno em outras formas de atividade.




O Pártenon hoje


Atenas, cidade tirânica

A política centralista e imperialista de Péricles - a Arkhé de Atenas - teve seus desdobramento com a aprovação de um conjunto de decretos aprovados pela bulê, a assembléia popular, como o de Clearco, que constrangia as outras cidades-membros da Liga de Delos a aceitarem um sistema único de moedas (dracma), pesos e medidas, usados por Atenas; e o de Clínias, que instituiu a visita de inspetores e funcionários (epíscopoi), indicados pelo bulê ateniense, para verificarem a lisura dos dinheiros enviados para o tesouro de Atenas, e, conforme o caso, obrigar as cidades a aceitarem até uma phurarchía, uma guarnição militar composta por hoplitas atenienses. Comprometiam-se elas, também, em prestar homenagens e dar oferendas às Grandes Panatenéias, a procissão gigantesca realizada todo os anos em Atenas para agradecer as deusas protetoras da cidade, fazendo com que a arrecadação de tributos enriquecesse Atenas em 1.000 ou 1.500 talentos anuais. Até a independência jurídica das cidades-membro foi afetada, com a exigência de que os conflitos surgidos entre elas deveriam ser resolvidos nos tribunais atenienses. Portanto, a tão almejada Eleutéria (liberdade perante o estrangeiro) obtida pelas cidades gregas na luta contra os persas, garantida pelo poder de Atenas, implicou na perda da autonomia(completa liberdade interna para obter recursos e viver segundo suas próprias leis), para a mesma Atenas.



O templo da razão que, lá do alto da acrópole, contempla o mundo


Atenas, a Escola da Hélade

Péricles, porém, estava convencido de que os gregos precisavam de um grande cidade, de uma polis referencial, que acolhesse as escolas filosóficas de todas as partes da Hélade, que concentrasse os homens de talento e de grande capacidade criativa, abrigados pelas virtudes do regime democrático. Como ele irá mais tarde afirmar na sua famosa Oração Fúnebre, transcrita por Tucídides (História da Guerra do Peloponeso, Livro II, cap.35-46), na qual, depois de elogiar a liberdade, o império e a autonomia de Atenas, assegurou que "nossa cidade, em seu conjunto, é a escola de toda a Hélade", prevendo acertadamente que "seremos portanto admirados não somente pelos homens de hoje mas também do futuro". Mas, em verdade, Atenas ao longo do tempo, ultrapassou qualquer outra suposição original, não limitando-se só em ser a educadora dos gregos daquela época, tornando-se uma cidade-ícone, a cidade-símbolo do mundo ocidental inteiro.

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