quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

PRÉ - SOCRÁTICOS + A ESCOLA ELEÁTICA = ESCOLA DE MILETO+ESCOLA PITÁCÓRICA


PITÁGORAS E A ESCOLA PITAGÓRICA





Porque fala-se de pitagóricos em geral, e não de pitagóricos individuais? Em primeiro lugar, não nos é possível distinguir Pitágoras dos pitagóricos, porque Pitágoras não escreveu nada, e dele pouquíssimo se sabe com precisão. A escola que ele fundou não tinha como principal escopo a pesquisa científica, mas a realização de determinado tipo de vida, com relação ao qual a pesquisa científica não era o fim, mas um meio de se chegar ao objetivo.

Por esse motivo, a ciência era considerada um bem comum, ao qual todos os adeptos aspiravam e que todos buscavam incrementar, pesquisando e indagando juntos. Essa característica de bem comum da ciência é que acarretou no anonimato das contribuições individuais.

Aqui observamos que os pitagóricos constituíram um fenômeno não visto até então. Eles estudavam e trabalhavam em equipe, eles formavam um todo sólido, indicando determinada orientação mental, certa visão da realidade sobre a qual concordavam homens de pátria e condições diferentes, fato tal que conferia-lhes grande respeito e prestígio.

Pitágoras nasceu em Samos, em torno de 513 a.C. e sua escola foi fundada em Crotona, na Itália. O nome Pitágoras vem de “pythia goras”, que significaria “guiado pelo espírito vidente”, visto que “pythia”, ou pitonisa, era o nome dado a misteriosa vidente ou profetiza do santuário de Delfos,e “goras” (guru, em sânscrito) significaria guiado ou conduzido.

O princípio único (arché) para os pitagóricos foi atribuído ao número e aos elementos constitutivos do número. Eles acreditavam que toda uma série de realidades e fenômenos naturais são traduzíveis por relações numéricas e representáveis de modo matemático, como os fenômenos musicais (quanto maior a espessura das cordas, mais grave é o som), os fenômenos do cosmo (periodicidade do movimento dos corpos celestes) e os fenômenos da vida (estações do ano, dia e noite, tempos de vida).

Para entender a afirmação pitagórica que faz do número o princípio de todas as coisas, é necessário recuperar o sentido original e arcaico do número. Para o antigo modo de pensar (e tal modo só seria corrigido por Aristóteles), o número é uma coisa real, antes, a mais real das coisas que, como tal, pode ser princípio constitutivo dos demais.

Resumidamente, os números são agrupáveis em pares e ímpares, onde o um é exceção pois é capaz de gerar tanto o par como o ímpar. Mas o par e o ímpar não são ainda os elementos últimos, que seriam o ilimitado (ou indeterminado, ou infinito) e o limite ou limitante (ou determinante), pela observação de que todas as coisas são finitas ou infinitas.

Eles viam nos números pares uma espécie de florescimento do elemento indeterminado (:è), e nos ímpares uma espécie de florescimento do elemento determinado e determinante (:è:).

Desta forma, o universo dos pitagóricos adquiria um novo sentido com relação ao dos jônicos (milesianos). É um universo no qual os elementos contrastantes são pacificados em harmonia; é um universo constituído pelo número, com o número e segundo o número. E assim fica claro que esse universo devia se tornar, para os pitagóricos, um “cosmos”, que significa ordem. À ordem associa-se número e ao número associa-se racionalidade, cognoscibilidade e permeabilidade ao pensamento.

A fé dos pitagóricos como fim dessa doutrina (e que a ciência como meio ajudava a alcançar) também foi muito produtiva. Pitágoras foi certamente o primeiro filósofo a ensinar a doutrina da metempsicose, influência do orfismo, seguramente anterior. Resumidamente, trata-se da doutrina segundo a qual a alma é constrangida a reencarnar-se muitas vezes para expiar uma culpa original.

Portanto, segundo ela, a alma é imortal, preexiste ao corpo e continua a subsistir depois do corpo. A sua união com um corpo não só não é conforme à sua natureza, mas é até mesmo contrária. A natureza da alma é divina e, portanto, eterna; enquanto a natureza de todo corpo é mortal e corruptível.

O homem deve viver não em função do corpo, que é cárcere e prisão da alma, mas viver em função da alma. E viver em função da alma significa viver uma vida que seja capaz de “purificá-la”.

Segundo os órficos e os pitagóricos, a purificação é o meio para libertar a alma do ciclo de reencarnações e levá-la a unir-se com o divino ao qual pertence. Entretanto, essas doutrinas divergem no meio de realizar a purificação da alma. Enquanto os órficos achavam que deviam elevar a alma gradativamente até sentir Deus em si e fazer-se um com ele, os pitagóricos atribuíam sobretudo à ciência a via de purificação.

Essa fé como fim, fez dos pitagóricos os iniciadores do tipo de vida chamado de vida contemplativa, isto é, uma vida que busca a purificação da alma pela contemplação da verdade. Platão dá a esse tipo de vida a sua expressão mais perfeita no Górgias e, sobretudo, no Fédon.

Se permanecermos no horizonte da filosofia pitagórica do número no âmbito de uma filosofia da physis, teremos problemas insuperáveis como a relação que as almas teriam com os números. Para resolver essas dificuldades, a filosofia deverá extrapolar o horizonte da physis; é o que faz Platão ao empreender aquela que, com belíssima imagem, ele mesmo chamará de “segunda navegação”: deverá descobrir o supra-sensível.



Escola pitagórica

A Escola Pitagórica recebe o nome do fundador, Pitágoras. Outros pensadores importantes dessa escola: Filolau, Arquitas, Alcmeón; a matemática e física Theano, que foi, possivelmente, casada com Pitágoras.

Esses pensadores manifestam ao mesmo tempo tendências místico-religiosas e tendências científico-racionais. A influência estende-se até nossos dias.

A escola teve como ponto de partida a cidade de Crotona, sul da Itália, e difundiu-se vastamente. Trata-se da escola filosófica grega mais influenciada exteriormente pelas religiões orientais, e que por isso mais se aproximou das filosofias dogmáticas regidas pela idéia de autoridade. O pitagorismo influenciou o futuro platonismo, o cristianismo e ainda foi invocado por sociedades secretas que atravessaram o tempo até alcançarem os dias de hoje. O símbolo da Escola Pitagórica era o Pentagrama, uma estrela de 5 pontas.

Pitagoras ficou conhecido também como o "filósofo feminista", visto que na escola haviam muitas mulheres discipulas e mestres, tais como Theano.


ESCOLA PITAGÓRICA



Em Crotona, nos arredores estéreis e rudes da ponta de Itália, Pitágoras fundou uma sociedade secreta dedicada ao estudo dos números. Julga-se que esta sociedade, cujos membros se tornaram conhecidos como pitagóricos, desenvolveu uma parte significativa de conhecimento matemático e isso em segredo absoluto. Pode considerar-se que os pitagóricos eram uma ordem religiosa e uma escola filosófica. Pensa-se que a sua filosofia se baseava no lema "O número é tudo", isto é o "número era a substância de todas as coisas".

O que pretendiam afirmar era que não só todos os objectos conhecidos tinham um número, ou podiam ser ordenados e contados, mas também que os números eram a base de todos os fenómenos físicos. Por exemplo uma constelação no céu podia ser caracterizada não só pela sua forma geométrica como também pelo número de estrelas que a compunham, bem como ela própria podia ser a representação de um número.

Qualquer figura geométrica, assim como qualquer corpo físico era, supunham, constituído por um determinado número de átomos ou mónodas, número esse que poderia ser muito grande, mas finito. A mónada era a unidade material, uma "unidade dotada de posição", muito pequena, mas com uma certa extensão: era um "ponto extenso".

Adoravam os números e acreditavam que eles tinham propriedades mágicas. Um número interessante foi o número "perfeito", que é a soma dos seus factores multiplicativos.

As preocupações dos pitagóricos com os números faziam parte do espírito de uma religião, e o seu modo de vida ascético e o facto de serem vegetarianos tinha origens em crenças religiosas. Um aspecto importante da vida dos pitagóricos, com regras dietéticas, adoração de números e reuniões secretas e rituais, era a realização de estudos matemáticos e filosóficos como uma base moral.

Os pitagóricos acreditavam firmemente que a essência de tudo, quer na geometria, quer nas questões práticas e teóricas da vida do homem, podia ser explicada em termos de arithmos, isto é, através das propriedades intrínsecas dos números inteiros ou das suas razões. Os números estavam sempre ligados à contagem de coisas. Ora a contagem requer que a unidade individual permaneça a mesma e portanto a unidade nunca podia ser dividida. Por causa de considerarem o número como a base do Universo, todas as coisas podiam ser contadas, incluindo os comprimentos. Para contar um comprimento era necessária uma medida e os pitagóricos assumiram que podiam sempre encontrar uma unidade de medida. Assim que uma medida fosse achada num problema particular, tornar-se-ia a unidade e não podia ser dividida.

Entendiam o que hoje chamamos de racionais como a razão ou quociente de números naturais. Se o segmento [AB] tivesse m mónadas e o segmento unitário tivesse n mónadas, a medida do primeiro relativamente ao segundo seria m/n (e esta fracção podia ser redutível e até representar um número inteiro).

Os números racionais serviram também aos pitagóricos para interpretar problemas do domínio da Música, uma das quatro disciplinas fundamentais (as outras três eram a Geometria, a Aritmética e a Astronomia.

Os pitagóricos descobriram que a harmonia na música correspondia a razões simples entre números. De acordo com Aristóteles, os pitagóricos pensavam que todo o céu era composto por escalas musicais e números. A harmonia musical e os desenhos geométricos levaram os pitagóricos a acreditar que tudo se resumia a números. Os pitagóricos pensavam que as razões numéricas básicas da música envolviam apenas os números 1, 2, 3 e 4, cuja soma é 10. E 10, por sua vez, é a base do nosso sistema de numeração. Representavam o número 10 como um triângulo, ao qual chamaram tetraktys.







dependia do nº da razão:

2/1 - representava uma oitava

3/2 - " " quinta

4/3 - " " Quarta


O símbolo especial da ordem pitagórica era a estrela de cinco vértices inscrita num pentágono. As diagonais que formam a estrela intersectam-se de tal maneira que formam outro pentágono, mais pequeno, na direcção inversa. Se as diagonais dentro deste pentágono mais pequeno forem desenhadas, formarão ainda outro pentágono, e assim sucessivamente. Este pentágono e a estrela nele inscrita composta por diagonais têm propriedades fascinantes, que os pitagóricos pensavam ser místicas. Um ponto diagonal (intersecção de duas diagonais) divide uma diagonal em duas partes diferentes. A razão entre a totalidade da diagonal e o segmento maior é exactamente igual à razão entre o segmento maior e o segmento menor. Esta razão é designada por número de ouro.

Os pitagóricos falharam em reconhecer a distinção fundamental entre número e medida, ou entre a indivisibilidade da unidade para os números e a indivisibilidade das medidas como comprimentos e isso foi muito perturbador. E assim surgiu um problema: as propriedades dos inteiros e das suas razões não bastavam para comparar a diagonal de um quadrado com o seu lado. Os segmentos do lado e da diagonal são incomensuráveis, não importa quão pequena se torne a unidade de medida, isto é o lado e a diagonal não tinham uma medida comum.

O Teorema de Pitágoras, conhecido há séculos e cuja demonstração entrou na tradição como uma das jóias produzidas pela Escola Pitagórica, tornou-se de forma irónica, uma contribuição para o desmoronamento da teoria das mónodas.









A descoberta de grandezas que não podiam representar por um número inteiro nem por uma fracção de números inteiros, às quais deram o nome de alogon, que quer dizer o inexprimível, surpreendeu e chocou estes diligentes admiradores dos números, originando uma crise nos fundamentos da Matemática . Juraram nunca o revelar a ninguém fora da sua sociedade. Mas a notícia espalhou-se e a lenda diz que Pitágoras afogou o membro que divulgou ao mundo o segredo da existência dos estranhos números irracionais.

Pitágoras morreu por volta de 500 a.C. e não deixou nenhum registro escrito do seu trabalho. O centro de Crotona foi destruído por um grupo rival político, sendo a maioria dos seus membros morta, e os restantes dispersaram-se pelo mundo grego levando a sua filosofia e o misticismo dos números.


Escola de Mileto

Escola de Mileto ou Milesiana, é chamada a escola de pensamento iniciada no Século VI a.C. na vila jônia de Mileto, na costa da Anatólia, e representada, principalmente, pelos filósofos: Tales de Mileto, Anaximandro e Anaxímenes. Convém distingui-la da Escola Jônica, que inclui estes e outros jônios como Heráclito ( de Éfeso), ou Diógenes de Apolônia (que viveu em Creta).[1]

A escola de mileto e situada na cidade de Mileto, na Jônia, litoral ocidental da Ásia Menor. Os filósofos que fundaram a escola foram: Tales de Mileto, Anaximandro e Anaxímenes. Tales era considerado "o pai da filosofia" por ser o primeiro pensador grego. Tales queria descobrir um elemento fisico que fosse constante em todas as coisas. Algo que fosse o princípio unificador de todos os seres. Tales concluiu que a água é a substância primordial, a origem única de todas as coisas, para ele somente a água permanece basicamente a mesma, em todas as transformações dos corpos, apesar de assumir diferentes estados como: sólido, líquido e gasoso. O principio primordial de todas as coisas segundo Anaximandro era o "apeiron". Ja para Anaxímenes era o "ar".


Tales de Mileto


Nenhum escrito de Tales sobrevive, nem há fontes contemporâneas a seu respeito. As realizações que lhe são atribuídas baseiam-se em referências tardias ou em lendas mantidas pela tradição. Segundo Heródoto, Tales foi um estadista de visão que advogou a federação das cidades jônicas da região do Egeu. Segundo Aristóteles, foi ele o primeiro a afirmar que a água era a substância fundamental do universo e de toda a matéria.

Considerado o primeiro filósofo grego, Tales nasceu por volta de 625 a.C. em Mileto, onde teria, como um dos sete sábios, fundado a escola que conserva o nome de sua cidade natal. Já se pretendeu ver, na escola de Mileto, quer dizer, em Tales, Anaximandro e Anaxímenes, a expressão mais autêntica do espírito jônico, ao qual se oporiam os eleatas, representantes do espírito dórico. A nova concepção de mundo dos milésios denominou-se logos, palavra grega que significa razão, palavra ou discurso. As características do logos, que o contrapõem ao pensamento mítico, são a imanência (oposta à transcendência), o naturalismo e o abandono do antropomorfismo. Esboçou-se assim a primeira tentativa de explicar racionalmente o universo, sem recorrer a entidades sobrenaturais.

Os filósofos da escola de Mileto eram homens de saber prático, acostumados a viajar, dedicados à política e ao trabalho intelectual. A partir de fatos particulares, conceituaram a realidade como um todo organizado e animado. Diante da multiplicidade e da mutabilidade das aparências, buscavam um princípio unificador imutável, ao qual chamaram arké -- origem, substrato e causa de todas as coisas. Em geometria, atribui-se a Tales a invenção de cinco teoremas. Diz-se também que ele usou seus conhecimentos geométricos para medir as pirâmides egípcias e para calcular a distância entre navios no mar e a costa. Referências como essas, ainda que às vezes possam não corresponder à verdade, ilustram todavia a reputação que o cercava.

Tales teria sido um precursor do pensamento científico ao substituir a explicação mítica da origem do universo pela explicação física de sua cosmologia baseada na água. Para ele, a água era o princípio formador da matéria porque o que é quente precisa da umidade para viver, o morto se resseca, todos os germes são úmidos e os alimentos estão cheios de seiva. É natural que as coisas se nutram daquilo de que provêm. A água é o princípio da natureza úmida, que entretém todas as coisas, e a terra repousa sobre a água.

As combinações se fazem pela mistura e pela mudança dos elementos, e o mundo é um só. A esfera do céu está dividida em cinco círculos, ou zonas: ártica, trópico de verão, equador, trópico de inverno e antártica. Primeiro astrônomo a explicar o eclipse do Sol, ao verificar que a Lua é iluminada por esse astro, Tales de Mileto, segundo o historiador grego Diógenes Laércio, morreu com 78 anos durante a 58ª Olimpíada (548-545 a.C.).







A Escola de MiletO


Quase tudo que cerca a história dos pré-socráticos é incerto. Não só por causa da ação do tempo, mas devido ao caráter fragmentado e imaginativo dos trechos de suas obras recolhidos em diversas citações existentes nos textos de historiadores, comentadores, doxógrafos, e até falsificadores que os mencionavam, muitas vezes, sem nenhum critério aparente. Na antiguidade, não existiam as exigências acadêmicas atuais que obrigam uma identificação padronizada das fontes e um maior rigor nas transcrições, a fim de evitar distorções das palavras alheias.
Critérios de distinção, classificação e padronização de teorias só foram instituídos tardiamente, quando a discussão filosófica já vinha avançada. O seu refinamento ocorreu à medida que aumentava a compreensão de afinidades e relação sistemática das idéias, bem como os acontecimentos podem ser vinculados uns aos outros. Os doxógrafos, responsáveis pelos registros das opiniões dos antigos pensadores e seus comentários, nem sempre assumiam o compromisso de transmitir fielmente à posteridade os pensamentos, da maneira que foram expressos.
Aristóteles (384-322 a.C.) foi quem primeiro se preocupou em agrupar a pesquisa iniciada entre os jônios, rotulando-os sob o termo physikoi (físicos), por estarem suas obras, geralmente, direcionada para o estudo da natureza. Fazia isso, no entanto, para mostrar as falhas que o conjunto daquelas idéias teria cometido, antes dele mesmo apresentar suas conclusões, como sendo as melhores respostas para os problemas que os outros haviam trabalhado sem sucesso. Assim, não se preocupava em fornecer detalhes de todos os passos argumentativos de seus antecessores. Limitava-se apenas a apontar seus possíveis erros e como poderiam tê-los evitado se tivessem antecipado sua linha de raciocínio.
A despeito dessa perspectiva personalista, o exemplo de Aristóteles estimulou seu discípulo Tirtamos de Éresos (370-286 a.C.), a quem chamava de Teofrastos (falante divino), a empreender uma ordenação mais precisa dos autores e suas obras – seja por tema, data ou escola de pensamento. Como toda forma de classificação, seu método de separação encontrava dificuldades na hora de associar nomes muito específicos. Xenófanes de Cólofon (580-460 a.C.) e Heráclito de Éfeso (545-480 a.C), por exemplo, apesar de serem jônios, não se filiam à tendência principal da chamada escola jônica, quando nesta predomina a explicação materialista da Escola de Mileto sobre a natureza.
O risco de simplificação acompanha qualquer tipo de nomenclatura ou taxonomia. Não obstante, para quem faz uma primeira abordagem, o esboço de um mapa já é melhor do que nenhum a facilitar a localização. Contudo, deve-se ter em mente suas imprecisões, no instante em que são percebidas as divergências existentes entre as teorias. Ter acesso às fontes primárias e seguir uma ordem cronológica evita anacronismos, enquanto ajuda a superar as intervenções subjetivas dos comentadores.
Mesmo assim, convém estar atento para o fato que nem todos autores antigos deixaram obras escritas. Daqueles que, depois de Anaximandro (610-547 a.C.), escreveram livros, poucos foram os que tiveram a sorte de ter seu próprio texto preservado na íntegra. Da maioria nada restou. Alguns foram queimados ou destruídos pela censura política. Enquanto outros sobreviveram nas paródias dos adversários ou nas paráfrases, amiúde distorcidas, dos discípulos.
Também é preciso observar que a filosofia não surgiu por inteiro das mãos de um artífice - tal como no mito de Atenas, que teria nascida já adulta e formada da cabeça de Zeus. Até os grandes sistemas filosóficos passaram por etapas de preparação em ensaios, debates e opúsculos que os antecederam. Mas mesmo depois de acabados, sofreram modificações na tentativa de responder as objeções e críticas lançadas por pensadores rivais. Em sua primeira fase, a filosofia teve um desenvolvimento, relativamente, rápido, mas precisou de longos séculos para que uma compreensão clara surgisse do acervo de suas hipóteses. Nesse sentido, vários caminhos foram abertos e trilhados, acabando às vezes em becos sem saída. Destarte, das poucas informações que se tem como certas acerca dos primeiros filósofos, sabe-se que a filosofia começou pelas especulações de Tales (624-545 a.C.) e prosseguiu na obra de seus conterrâneos Anaximandro e Anaxímenes (585-525 a.C.), em Mileto. Dos conceitos elaborados pela escola de Mileto, arche, apeiron e pneuma foram os principais. Se incluir a escola jônica, logos, nous, ontologia e ética passam a fazer parte da temática filosófica. Assim, os jônios iniciam o debate de idéias, passando depois aos emigrados para Magna Grécia, retomando em seguida a palavra para abrir caminho ao atomismo e ao materialismo vindo de Abdera, no norte da Hélade.
Os Jônios

Desde o século XIII a.C., os jônios já haviam fundado Mileto na costa asiática ao sudeste do mar Egeu. No século VIII a.C., o desenvolvimento do comércio marítimo faz com que esses helenos dominem todo litoral da região, iniciando o período de prosperidade das poleis ali estabelecidas – Mileto, Éfeso, Clazômenas, Cólofon, entre outras. Nesses entrepostos fronteiriços, a filosofia surge já ameaçada pelos desejos imperialistas dos medos e persas.
As dificuldades de sobrevivência e manutenção de sua liberdade não impediram, entretanto, que alguns homens procurassem pensar melhor o mundo e a vida que levavam. Os temas abordados no início tinham uma preocupação prática. Ao lado da mera investigação da natureza, não esqueciam de orientar a conduta mais adequada para os seres humanos resolverem seus problemas cotidianos.
Tales foi conselheiro político e matemático de renome. Anaximandro fez aplicações novas ao aparelho chamado gnomon – relógio de sol que também servia para marcar os solstícios e equinócios -; desenhou o primeiro mapa do mundo conhecido; além de lançar a primeira noção de evolução das espécies e a luta pela sobrevivência. Anaxímenes especulou sobre as causas dos terremotos; a suspensão da Terra e dos outros astros no espaço; a luz do Sol refletida pela Lua; bem como a evaporação e solidificação dos elementos da natureza. Em Cólofon e depois em Eléia, Xenófanes criticou o antropomorfismo dos deuses, enquanto Heráclito também chamava atenção para vinculação da ética e política, em Éfeso. Mais tarde, Anaxágoras de Clazômenas (500-427 a.C.) desenvolveria uma teoria das sensações com base no choque de contrários [1].
Apesar de não ter deixado nenhuma obra escrita considerada autêntica, na história da filosofia, se reconhece o pioneirismo de Tales devido ao fato de ter sido o primeiro pesquisador da natureza a sustentar a necessidade de um princípio material para sua origem. Ao defender uma causa material, que também poderia ser interpretada como o conceito de arche atribuído por Aristóteles, ou seja algo subjacente às coisas que as originou e irá permanecer depois de sua decomposição, o pensamento original de Tales inaugurava uma nova concepção de mundo diferente da mitologia e da religião corrente. Sua inovação estava em não apelar para existência de um mundo sobrenatural transcendente ao atual. E ainda que o elemento para o qual apontasse, a água, fizesse parte das explicações da tradição, a maneira de argumentar em seu favor estimulou seus ouvintes a produzirem outras soluções, caso não concordassem com a correção de suas idéias.
Desse modo, Anaxímenes sugeriu que, ao invés da água, outro elemento - o ar (aer) – teria iniciado tudo e assumido as diversas formas possíveis das coisas por rarefação ou condensação. As vantagens em relação à primeira tese eram evidentes. O ar não teria nenhuma forma determinada e poderia envolver tudo, sem precisar supor necessidade de algo que o sustentasse, podendo ainda ser estendido em todas as direções até o infinito. Assim, à causa material, Anaxímenes acrescentava a indefinição e infinidade das formas sugeridas pelo conceito de apeíron, apresentado antes por Anaximandro, seu mestre e antigo discípulo de Tales [2].
A idéia de uma matéria infinita, sem limitações de forma, permitiu entender como uma substância concreta poderia estar em todo lugar, ao mesmo tempo em que era a origem de tudo. O ar ilimitado de Anaxímenes superava as questões inevitáveis sobre a sustentação do elemento primordial, como a água no caso de Tales. Por outro lado, solucionava um ponto deixado em aberto por Anaximandro, quando tratou a arche simplesmente como apeíron, ilimitado, indefinido ou infinito [3].
Do livro que Anaximandro escreveu (Peri Physeos - Sobre a Natureza), apenas uma sentença restou do original em uma citação transmitida por Simplício (séc. V-VI). Nesta transparece a maneira poética pela qual tenta descrever como o apeíron pode gerar o cosmo e manter o equilíbrio entre geração e corrupção das coisas, atribuindo um período de tempo específico para cada uma delas. Ao deixar indefinida a substância material originária, Anaximandro se livrava da questão sobre a escassez de matéria-prima em algum momento, permitindo que uma fonte interminável pudesse estar sempre nutrindo e substituindo a matéria que fosse destruída [4].
A engenhosa solução da forma abstrata para arche não evitava outros embaraços, pois se apeíron fosse interpretado como ilimitado, contradiria a idéia de um limite inicial contida em um princípio que se entende por ponto de partida de todas as coisas. Nesse sentido, apeíron seria a negação da arche. Além disso, mostrou-se falaciosa a necessidade de se postular um infinito para explicar o contínuo processo de geração que supriria a constante destruição da matéria. Como alegou Aristóteles, bastava que a corrupção de uma coisa resultasse na geração de outra, dentro de um ciclo que as limitasse do ponto de vista geral [5].
Quando Anaxímenes encontrou um elemento natural que pudesse corresponder ao conceito de indeterminação, se resolveu de uma só vez essas duas objeções. Primeiro, permitiu imaginar a extensão sem limites da matéria, na forma de ar, sem implicar em contradição – haja vista que a noção de vácuo ainda não era admitida pelos helenos. Segundo, por efeito da condensação e rarefação o ar poderia transformar toda matéria. Por ser um elemento que até o senso comum poderia compreender como capaz de envolver todas as coisas – a percepção da atmosfera permitia tal inferência -, tornou-se plausível a interpretação do ar como algo que, sendo matéria, não possui uma forma definida. Pela rarefação e condensação, o ar poderia assumir a aparência de qualquer coisa, em qualquer lugar. Assim, a concepção de Anaxímenes corrigia e ampliava o alcance das teorias pregressas [6].
Sob a forma de sopro (pneuma), o ar também se colocava como explicação razoável para manutenção da vida por meio da alma que se inspira e expira, até o último suspiro, movimentando os seres vivos. Toda uma cosmologia obtinha respaldo, depois dessas considerações. O esboço de um grande sistema começava a ser delineado, quando foi abruptamente ameaçado por questões política que colocaram Mileto no centro de uma revolta contra os bárbaros.
Anaxímenes foi o último grande pensador milésio. Com sua morte, em 525 a.C., encerrou-se o período da “escola de Mileto”, primeira fase do pensamento jônio. A partir de 520 a.C., os persas, chefiados por Dario (que reinou de 522 a 486 a.C.), conquistaram o controle das principais cidades da Ásia Menor. A situação pressentida por Anaxímenes foi registrada em uma carta, citada por Diógenes Laércio (séc. III), que teria sido endereçada a Pitágoras, já estabelecido em Crotona.
(...) o rei dos medos é outro motivo de terror para nós, ao menos quando não nos dispomos a pagar-lhe tributo; entretanto, os iônios estão prontos a guerrear contra os medos, a fim de assegurar a liberdade de todos, e uma vez envolvidos no conflito não teremos mais esperanças de salvação. Como pode então Anaxímenes entregar-se tranqüilamente ao estudo dos céus sob a ameaça da morte ou de escravidão? (DIÓGENES LAÉRCIO. Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres, Liv. II, cap.2, § 5, p. 48).

Depois da destruição de Mileto, em 493 a.C., novas linhas de investigação são exploradas em outras localidades da Jônia. Xenófanes, em Cólofon, e Heráclito, em Éfeso, já haviam iniciado discussão filosófica sobre a teologia, ontologia, ética e política, indo além do enfoque principal no estudo da natureza. Mas em breve Xenófanes teria de emigrar, enquanto Heráclito abandonava o centro da polis, passando a viver no campo. O último nome jônio a trabalhar sobre os temas originais da physis foi Anaxágoras de Clazômenas, que aos vinte anos, partiu para Atenas, onde foi recebido pela elite intelectual ateniense, mas no final da vida, para escapar à pena de morte, foi obrigado a se refugiar de volta à Ásia Menor, em Lâmpsaco, na Frígia, onde veio a falecer.
Anaxágoras sai de Clazômenas, por volta de 480 a.C., após a passagem de Xerxes (que sucedeu a Dario e reinou até 465 a.C.) pela cidade. Antes de viajar, tira lições com o pitagórico Hermótimos (séc. VI-V a.C.). Ao chegar em Atenas, entrou em contato também com a obra de Parmênides de Eléia (515-449 a.C.), que já ultrapassava as fronteiras naturais na Magna Grécia. Sem se comprometer na defesa de uma única substância material, Anaxágoras admitiu que o ar ou éter (aither) poderiam circundar as coisas existentes, mas que estas seriam geradas em quantidades infinitas compostas de substâncias originais. Isso seria possível graças à noção de contrários constituídos por uma massa indeterminada de pequenos elementos primários. Esses pequenos elementos estariam misturados em porções seminais diminutas, caracterizadas pelos componentes que existissem em maior quantidade na sua formação (homeomerias, coisas com partes comuns) [7].
Em vez de uns poucos princípios, Anaxágoras partia já de uma multiplicidade infinita de substâncias que se moviam em uma série contínua de mudanças, desde sua origem, por causa do nous (inteligência). Todas as coisas poderiam ser integradas por pequenas porções de tudo. Somente o espírito inteligente (nous), ou mente e intelecto, seria puro, infinito e independente de todas as outras coisas. O nous era capaz de conhecer tudo, sendo também a coisa mais sutil e poderosa, governando até os seres viventes. Do início de seu movimento, as coisas começaram a se separar e reunir pelo confronto entre elas. Essa velocidade foi acelerando e aumentando as distâncias entre os objetos e sua origem intelectual. Desde então, o processo de divisão continuou por meio dos choques entre as matérias, sem mais a interferência do nous, que permanece eternamente consciente de tudo e presente nos corpos compostos, mas sem nenhum contato com estes [8].
Como um vórtice voraz, que aumenta sua velocidade à medida que se expande, o nous não é uma entidade incorpórea, mas se realiza sutilmente na extensão da matéria, como se fosse a energia pura primordial de sua transformação. Sua influência direta na origem do movimento das coisas se atenua com a distância, mas tudo que acontece depois decorre, indiretamente, de sua ação inicial. À distância, o mundo passa a agir pelos efeitos dos conflitos (ação e reação) próprios de um grande mecanismo em movimento, longe da intervenção do nous [9].
Até entrar em confronto com as idéias dos Atomistas - Leucipo (séc. V a. C.) e Demócrito de Abdera (460-370 a. C.) - Anaxágoras propôs a teoria astronômica mais avançada de sua época, superando os atomistas na explicação dos eclipses da Lua e do Sol.
(...) A Lua não tem nenhuma luz própria, mas recebe-a do Sol. Os astros, na sua revolução, passam por baix da Terra. Os eclipses da Lua são devidos ao fato de ela ser ocultada pela Terra, ou às vezes pelos corpos que se encontram por baixo da Lua; os do Sol, à interposição da Lua, na fase de lua-nova... (ANAXÁGORAS, apud HIPÓLITO, Refutatio, I, 8, 3-10, in KIRK, RAVEN, SCHOFIELD. Os Filósofos Pré-socráticos, cap. XII, § 502).

Ao descrever corretamente o que acontece durante um eclipse, Anaxágoras mostrava ter conhecimento de causa superior ao de Tales que sabia apenas fazer previsões com precisão de suas ocorrências. No entanto, ainda acreditava na concepção geocêntrica do universo, na forma plana da Terra, em um sistema de causas pluralista. Disso, entretanto, não se pode acusá-lo exclusivamente, uma vez que a voz solitária de Aristarco de Samos (320-250 a.C.), clamando pelo heliocentrismo, só seria ouvida muitos séculos depois pelo polonês Nicolau Copérnico (1472-1543). A circunferência da Terra só após a medição de Erastótenes de Cirene (276-196 a.C.) passaria a ser aceita pelos eruditos. Enquanto que a visão monista da realidade ainda é alvo de disputas mais acirradas nas atuais universidades.
Ampliando Conceitos

Ao construir sua teoria mecânica do universo, Anaxágoras já trabalhava com uma série de conceitos desenvolvidos pelas escolas eleata e italiota, além daqueles que vinham sendo propostos na Jônia. Defrontou-se, então, com um grau de abstração cada vez maior da argumentação filosófica. Seu conceito de nous, entretanto, preparava o terreno para o advento de um sistema materialista completo que surgiria, em seguida, através do atomismo dos pensadores de Abdera. Além disso, ampliou a discussão a uma terceira causa motriz, que não a material ou formal já debatida pelos milésios.
A causa motora, motriz, ou eficiente, apresentada como nous, por Anaxágoras, foi o ponto crucial da Metafísica aristotélica. Sua intuição avançava um passo a mais na discussão anterior, mas permanecia insuficiente e arbitrária – como um deus ex-machina -, por não explicar os desdobramentos posteriores dos acontecimentos, largados ao choque indeterminado das substâncias contrárias [10].
Crítica semelhante fora lançada pelo personagem Sócrates no diálogo Fédon, de Platão (429-347 a.C.), contra a falta de justificativas para o “porque” de tudo existir como tal. Também ficava evidente uma ineficiência daquela “inteligência” em determinar as ordens das coisas, admitindo depois a intervenção do éter ou ar de Anaxímenes [11].
Aos olhos de Platão e Aristóteles, faltava ainda uma explicação sobre a causa final do ordenamento do mundo. Uma questão que não se resolvia apenas pelo estudo da natureza, mas que exigia da razão uma guinada para a prática dos costumes (ética) e uma teleologia (a finalidade última das coisas naturais).
Os milésios e Anaxágoras adiantaram três pontos fundamentais para filosofia original: matéria, forma e eficiência. Esses temas tratavam da origem concreta da natureza, da determinação do tempo e do espaço, bem como do movimento aparente. Porém, faltava saber se tudo teria uma finalidade própria. A causa final comportaria dois tipos de soluções: ética e ontológica. O começo dessa argumentação remontava ainda a dois outros iônios, cujas personalidades fortes não permitiram uma vinculação às tendências de seus conterrâneos: Xenófanes e Heráclito. Em Mileto e na chamada Escola Jônica, começou a prática de investigação que originou a filosofia e a ciência, tal como foi desenvolvida mais tarde pela civilização ocidental.

CURSO DE FILOSOFIA PARA NÃO FILÓSOFOS


Paulo Ghiraldelli Jr

Filosofia e mito

A filosofia ocidental teve seu início na Grécia antiga. A palavra "filosofia" - philosophia - é uma palavra de origem grega. Philo vem de philia, que tem a ver com companheirismo, amor fraterno, amizade. Sophia vem de sophos, que quer dizer sábio. Assim, em geral, quando se parte da etimologia da palavra, temos que "filosofia" é o amor ao saber, a amizade profunda à sabedoria; e o filósofo, então, é aquele que tem um apreço especial pela sabedoria.


A filosofia, nesta perspectiva grega, é um atividade que visa levar ao saber. E sua história, para a maioria dos manuais, tem como primeiro adversário o mito, que, aos olhos do filósofo, não estaria preocupado em levar ao saber, ao conhecimento, tomando aqui a palavra conhecimento como saber verdadeiro, não contraditório, que não busca causas em relações sobrenaturais, mas em relações naturais. A palavra mito também tem uma origem grega, ela vem de mythos. Há dois verbos que confluem para mythos: mytheo, que tem a ver com a conversação e a designação, e mytheyo, que tem a ver com a narração, com o contar algo para outro.


O mito narra algo que é inquestionável para quem está inserido fielmente na atividade de ouvi-lo. Ele tem a função de dizer algo que tal pessoa acredita sem que venha pensar muito de modo a colocá-lo em dúvida. Seu papel é de informar e dar sentido à existência de quem crê nele, mas, principalmente, o de socializar as pessoas e criar uma comunidade a comunidade que forma o "nós", os que se organizam socialmente da mesma forma, exatamente porque, entre o que possuem de comum, o mito é não só alguma coisa forte, mas é exatamente a narrativa (única) que diz o que é comum para este "nós".


Cosmogonia e cosmologia


As cosmogonias são, de certa forma, narrativas sobre as origens do mundo. Em geral elas estão presentes nos mitos, isto quando não são a sua essência. Falam de união sexual entre deuses, que geram o mundo, ou união sexual entre deuses e humanos, que em geral criam situações complexas e dão o enredo a uma história que explica divisões, guerras, ciúmes, paixões, disputas sobre a justiça, etc.


As cosmologias já estão mais para o campo do pensamento filosófico do que para o pensamento mitológico. Para vários autores da história da filosofia, elas são a origem do pensamento filosófico, e outros, mais propensos a verem continuidade do que rupturas na história do pensamento, tendem a ver as cosmologias como o início do pensamento científico.


As cosmologias são teorias a respeito da natureza do mundo. As cosmogonias são genealogias, diferentemente, as cosmologias são conhecimento a respeito de elementos primordiais, mas naturais. O pensamento cosmológico remete à phýsis, a palavra grega que tem a ver com o que é eterno e de onde tudo surge, nasce, brota. Trata-se de um elemento imperecível, que gera todos os outros elementos naturais, que são perecíveis.


Os pensadores chamados "pré-socráticos"


Os pensadores pré-socráticos viveram no "mundo grego", mas nem todos antes de Sócrates. Alguns sim, outros não. Eles viveram entre o século sete e o meio do século quarto A.C. Sócrates nasceu em 469 e morreu em 399 A.C. (todas as datas, antes de Cristo, são, na sua maioria, estimativas).


Uma boa parte desses pensadores foram, antes de tudo, cosmólogos. E vários deles trabalharam em um sentido reducionista, isto é, tentaram encontrar uma substância única, ou força exclusiva, ou princípio básico capaz de ser apresentado como o elemento efetivamente real e primordial do cosmos. Thales de Mileto (580 A.C.) disse que tudo era composto de água, Anaximandro (610-546 A.C.) escolheu o que ele chamou de o ilimitado e o inespecífico (em grego, apeirón), Anaxímenes voltou a falar em um elemento específico, o ar. Esses três filósofos ficaram conhecidos na história da filosofia como pertencentes à Escola de Mileto, uma escola que primou pelo naturalismo, ou seja, pela busca de explicações baseadas em nexos causais entre fenômenos naturais, e pelo monismo, isto é, a idéia de que entre as mudanças naturais há de se encontrar nessas transformações algo de elementar.


Diferentemente da Escola de Mileto, os discípulos de Pitágoras de Samos (572-500 A.C.) não procuraram por um elemento natural, físico, mas evocaram a idéia de que a essência de tudo é numérica, a realidade é descrita por fórmulas matemáticas, ou relações entre números.


Eráclito de Éfeso, por sua vez, evocou o fogo como sendo o elemento primordial. Todavia, neste caso, tratou-se não do fogo como elemento natural, em um sentido literal do termo, mas o chama como símbolo de algo em mudança contínua, que se absorve e se transforma. Heráclito foi o autor da famosa frase "não é possível banhar-se no mesmo rio duas vezes". Todavia, não se deve deduzir dessa afirmação que Heráclito defendeu uma teoria da mudança contínua desregrada. Ao contrário, ele entendia que havia uma lógica - o logos - governando tal mudança contínua.


Sucedendo Heráclito, mas em oposição a ele, Parmênides de Eléia (515-440 A.C.) defendeu a idéia da imutabilidade, mas em um plano lógico e lingüístico. Ele afirmou o que se põe como uma auto-evidência: "o que é, é, o que não é, não é". Sua teoria era a de que não se poderia afirmar que "o que é, não é", pois o não-ser, por definição, "não é".


Dessa forma, Parmênides afirmou que só o "ser" existia, e que ele só poderia ter as seguintes características: sempre existente, indestrutível, eterno e indivisível. Zenão de Eléia (490 _ ? A.C.) elaborou alguns paradoxos para mostrar que o que Parmênides defendia podia parecer estranho, mas era verdadeiro. Todos eles se basearam em uma idéia fácil de entender, que visava nos mostrar a impossibilidade do movimento e, portanto, a impossíbilidade de algo que "é" passar a "vir-a-ser", pois se fosse admissível que algo que "é" viesse a "vir-a-ser", isto significaria que antes tal coisa "não era", o que seria uma contradição.


Assim, Zenão, entre outros paradoxos, levantou a questão de como que uma flecha nunca atinge o alvo: se ela percorre um arco AB, e tal arco, logicamente pode sempre ser dividido infinitamente, sempre faltará um determinado segmento de AB para que a flecha possa chegar ao alvo. O que Zenão criou foi, enfim, a idéia de que o movimento é algo do mundo sensível, mas que, diante do pensamento lógico-linguístico ele não se sustenta. Assim, o mundo sensível, onde a flecha atinge o alvo, não se coadunaria com o mundo inteligível, onde, se nos atermos à lógica, ela nunca poderia ter realmente atingido o alvo.


A tese de Parmênides e os paradoxos de Zenão tiveram um forte impacto no mundo Grego. Entre outras teorias que apareceram para tentar se livrar de tais paradoxos, três delas tornaram-se representativas do período dito "pré-socrático": a de Empédocles (? - 440 A.C.), a de Anaxágoras (500 – 428 A.C.) e a de Leucipo (460 - ? a.C.) e Demócrito (460 – 370 A.C.). Tais pensadores diferiram dos anteriores especialmente por abandonarem o monismo em favor de algum tipo de pluralismo, ou seja, por abandonarem a idéia de buscar como o mais real e profundo um elemento único, exclusivo.


Para explicar o movimento e a mudança, que Zenão negava, Empédocles de Agrigento disse que deveríamos olhar para as forças antagônicas da "disputa" e do "amor". A segunda, como ele dizia, tinha a função de promover a unidade, enquanto que a primeira é que trazia a dispersão e a destruição.


Anaxágoras de Clazômena, por sua vez, mencionou a existência de "sementes", quase que como uma espécie de elementos que hoje chamaríamos de elementos químicos, subjacentes ao mundo físico visível, e associou-as a uma força, de características mentais, organizadora do mundo, o "Nous", uma força racional, uma alma, mente, que para além das formas visíveis estaria colocando o mundo em movimento, funcionando internamente nos seres orgânicos e externamente nos seres inorgânicos.


Leucipo de Abdera e Demócrito de Abdera preferiram falar em algo material, e não espiritual, no campo invisível de comando do mundo. O mundo, para eles, era composto de "átomos". Átomo vem do grego atomon, que significa indivisível. Os átomos seriam partículas pequenas, não criadas, indestrutíveis, eternas, e que se moveriam continuamente em um plano não perceptível por nós segundo leis e caminhos imutáveis. Ao contrário de Parmênides, e mais próximo a Heráclito, Demócrito defendeu a idéia de que a inércia é que é aparente, pois o que subjaz é o movimento, em um campo não lógico, mas material, ainda que racional, organizado, seguindo leis determinadas.


A Escola Eleática recebe esse nome de Eléia, cidade situada no sul da Itália e local de seu florescimento. Nessa escola encontramos os grandes de Xenófanes, Parmênides, Zenão e Melisso. Nesse grupo famoso de pensadores, as questões filosóficas concentram-se na comparação entre o valor do conhecimento sensível e o do conhecimento racional. De suas reflexões, resulta que o único conhecimento válido é aquele fornecido pela razão.



A Escola Eleática
A Escola Eleática de filósofos foi a terceira das antigas escolas filosóficas gregas. Ela foi
fundada pelo poeta e pensador religioso Xenophanes (nascido por volta de 570 a.C.). Seu
principal ensinamento era que o universo é singular, eterno e inalteravel. Segundo
Xenophanes "O todo é um".
A Escola Eleática se opunha à doutrina Jônica de desenvolvimento.
Os eleáticos viam a natureza como uma unidade imutável,
universal, considerando a criação, a variedade, a mudança e o
movimento como ilusões dos sentidos. Para eles toda mutação é
ilusória e as transformações observadas na
natureza são pura ilusão dos sentidos.
O maior dos filósofos eleáticos foi
Parmenides (nascido por volta de 539
a.C.). Acreditase
que ele foi quem
introduziu o argumento lógico na filosofia.
Parmenides tinha como hábito acompanhar cada uma de suas
afirmações com algum tipo de argumento lógico que justificava o
porque do fato narrado ocorrer daquela maneira.
As crenças de Parmenides na unidade absoluta e constância da
realidade são bastante radicais e abstratas, mesmo para os padrões
modernos.
Um dos estudantes de Parmenides foi Zeno (de Elea) (~ 490 ~
425 a.C.). Ele é lembrado
por ter usado uma série de argumentos nos quais defende a filosofia eleática pondo a prova,
por meios lógicos, que a mudança (movimento) e a pluralidade são impossíveis.
Nenhum dos escritos de Zeno sobreviveu e só sabemos sobre suas idéias a partir dos textos
de Platão, Aristóteles, Simplicus e Proclus, que não são simpáticos ao que ele defendia. A
principal fonte do nosso conhecimento sobre as idéias de Zeno está no diálogo
"Parmenides" escrito por Platão.
Zeno escreveu um livro que continha 40 paradoxos que dizem respeito ao continuum.
Quatro destes paradoxos tiveram uma profunda influência no desenvolvimento da
matemática: a "dicotomia", "Aquiles e a tartaruga", "a flecha" e o "stadium".
O mais conhecido desses paradoxos é aquele intitulado "Aquiles e a Tartaruga" no qual ele
levanta a questão de que "o mais lento nunca será superado pelo mais rápido pois aquele
que está indo no encalço do outro deve primeiro alcançar o ponto a partir do qual aquele
que está fugindo partiu, de modo que o mais lento deve sempre estar alguma distância a
frente do mais rápido".





Pré-socráticos

Os filósofos pré-socráticos não são, como sugere o nome, filósofos anteriores a Sócrates. Essa divisão propriamente, se dá mais devido ao objeto de sua filosofia, em relação à novidade introduzida por Sócrates, do que à cronologia - visto que, temporalmente, alguns dos ditos pré-socráticos são contemporâneos a Sócrates, ou mesmo posteriores a ele (como no caso de alguns sofistas).

Primeiramente, os pré-socráticos, também chamados "naturalistas" ou filósofos da physis (natureza - entendendo-se este termo não em seu sentido corriqueiro, mas como realidade primeira, originária e fundamental¹, ou o que é primário, fundamental e persistente, em oposição ao que é secundário, derivado e transitório²), tinham como escopo especulativo o problema cosmológico, ou cosmo-ontológico, e buscavam o princípio (ou arché) das coisas.

Posteriormente, com a questão do princípio fundamental único entrando em crise, surge a sofística, e o foco muda do cosmo para o homem e o problema moral.

Os principais filósofos pré-socráticos (e suas escolas) foram:

Escola Jônica: Tales de Mileto, Anaximenes de Mileto, Anaximandro de Mileto e Heráclito de Éfeso;
Escola Itálica: Pitágoras de Samos, Filolau de Crotona e Árquitas de Tarento;
Escola Eleata: Xenófanes, Parmênides de Eléia, Zenão de Eléia e Melisso de Samos.
Escola da Pluralidade: Empédocles de Agrigento, Anaxágoras de Clazômena, Leucipo de Abdera e Demócrito de Abdera.
Quanto aos sofistas, não houve propriamente uma escola, mas pode-se dividi-los em alguns blocos

Primeira geração: Protágoras e Górgias

Segunda geração: Pródico de Céos, Hípias e Antifonte

Eristas e sofistas políticos

Índice [esconder]
1 Escola Jônica
1.1 Tales de Mileto (624-548 a.C.)
1.2 Anaximandro de Mileto (611-547 a.C.)
1.3 Anaxímenes de Mileto (588-524 a.C.)
1.4 Parmênides de Eléia
1.5 Heráclito
1.6 Empédocles
1.7 Demócrito e a Teoria Atômica
1.8 Xenófanes de Colofon
2 Escolas Italianas
2.1 Pitágoras de Samos
2.2 Escola Eleática
3 Segunda Fase do pensamento pré-socrático
3.1 Empédocles de Agrigento
3.2 Leucipo
3.3 Demócrito
3.4 Anaxágoras de Clazômena
4 Leituras adicionais
5 Ligações externas


Escola Jônica
Tales de Mileto (624-548 a.C.)
Atribui-se a Tales a afirmação de que "todas as coisas estão cheias de deuses", o que talvez pode ser associado à idéia de que o imã tem vida, porque move o ferro. Essa afirmação representa não um retorno a concepções míticas, mas simplesmente a idéia de que o universo é dotado de animação, de que a matéria é viva (hilozoísmo). Além disso, elaborou uma teoria para explicar as inundações no Nilo, e atribui-se a Tales a solução de diversos problemas geométricos (exemplo: teorema de Pitágoras). Tales viajou por várias regiões, inclusive o Egito, onde, segundo consta, calculou a altura de uma pirâmide a partir da proporção entre sua própria altura e o comprimento de sua sombra: essa proporção é a mesma que existe entre a altura da pirâmide e o comprimento da sombra desta. Esse cálculo exprime o que, na geometria, até hoje se conhece como teorema de Tales.

Tales foi um dos filósofos que acreditava que as coisas têm por trás de si um princípio físico, material, chamado arqué. Para Tales, o arqué seria a água. Tales observou que o calor necessita de água, que o morto resseca, que a natureza é úmida, que os germens são úmidos, que os alimentos contêm seiva, e concluiu que o princípio de tudo era a água. Com essa afirmação deduz-se que a existência singular não possui autonomia alguma, apenas algo acidental, uma modificação. A existência singular é passageira, modifica-se. A água é um momento no todo em geral, um elemento. Tales com essa afirmação queria descobrir um elemento físico que fosse constante em todas as coisas. Algo que fosse o princípio unificador de todos os seres.

Principais fragmentos:

“... a água é o princípio de todas as coisas...”.
“... todas as coisas estão cheias de deuses...”.
“... a pedra magnética possui um poder porque move o ferro..."

Anaximandro de Mileto (611-547 a.C.)
Milesiano. Para ele a Physis era o apeiron (o ilimitado ou o indeterminado). Anaximandro viveu em Mileto no século VI a.C.. Foi discípulo e sucessor de Tales. Anaximandro achava que nosso mundo seria apenas um entre uma infinidade de mundos que evoluiriam e se dissolveriam em algo que ele chamou de ilimitado ou infinito. Não é fácil explicar o que ele queria dizer com isso, mas parece claro que Anaximandro não estava pensando em uma substância conhecida, tal como Tales concebeu. Talvez tenha querido dizer que a substância que gera todas as coisas deveria ser algo diferente das coisas criadas. Uma vez que todas as coisas criadas são limitadas, aquilo que vem antes ou depois delas teria de ser ilimitado.

É evidente que esse elemento básico não poderia ser algo tão comum como a água. Anaximandro recusa-se a ver a origem do real em um elemento particular; todas as coisas são limitadas, e o limitado não pode ser, sem injustiça, a origem das coisas. Do ilimitado surgem inúmeros mundos, e estabelece-se a multiplicidade; a gênese das coisas a partir do ilimitado é explicada através da separação dos contrários em conseqüência do movimento eterno. Para Anaximandro o princípio das coisas - o arqué - não era algo visível; era uma substância etérea, infinita. Chamou a essa substância de apeíron (indeterminado, infinito). O apeíron seria uma “massa geradora” dos seres, contendo em si todos os elementos contrários. Anaximandro tinha um argumento contra Tales: o ar é frio, a água é úmida, e o fogo é quente, e essas coisas são antagônicas entre si, portanto o elemento primordial não poderia ser um dos elementos visíveis, teria que ser um elemento neutro, que está presente em tudo, mas está invisível.

Esse filósofo foi o iniciador da astronomia grega. Foi o primeiro a formular o conceito de uma lei universal presidindo o processo cósmico totalmente. De acordo com ele para que o vir-a-ser não cesse, o ser originário tem de ser indeterminado. Estando, assim, acima do vir-a-ser e garantindo, por isso, a eternidade e o curso do vir-a-ser. O seu fragmento refere-se a uma unidade primordial, da qual nascem todas as coisas e à qual retornam todas as coisas. Anaximandro recusa-se a ver a origem do real em um elemento particular. Do ilimitado surgem inúmeros mundos, e estabelece-se a multiplicidade; a gênese das coisas a partir do ilimitado é explicada através da separação dos contrários em conseqüência do movimento eterno.

Principais fragmentos:

“... o ilimitado é eterno...”
“... o ilimitado é imortal e indissolúvel...”

Anaxímenes de Mileto (588-524 a.C.)
O terceiro filósofo de Mileto foi Anaxímenes (c. 570—526 a.C.). Ele pensava que a origem de todas as coisas teria de ser o ar ou o vapor. Anaxímenes conhecia, claro, a teoria da água de Tales. Mas de onde vem a água? Anaxímenes acreditava que a água seria ar condensado. Acreditava também que o fogo seria ar rarefeito. De acordo com Anaxímenes, por conseguinte, o ar("pneuma") constituiria a origem da terra, da água e do fogo. Conclusão - Os três filósofos milésios acreditavam na existência de uma substância básica única, que seria a origem de todas as coisas. No entanto, isso deixava sem solução o problema da mudança. Como poderia uma substância se transformar repentinamente em outra coisa? A partir de cerca de 500 a.C., quem se interessou por essa questão foi um grupo de filósofos da colônia grega de Eléia, no sul da Itália, por isso conhecidos como eleatas

Parmênides de Eléia
O mais importante dos filósofos eleatas foi Parmênides (c. 530-460 a.C.). “Nada nasce do nada, e nada do que existe se transforma em nada”. Com isso quis dizer que “tudo o que existe sempre existiu”.

Percebia, com os sentidos, que as coisas mudam. Mas sua razão lhe dizia que é logicamente impossível que uma coisa se tornasse diferente e, apesar disso, permanecesse de algum modo a mesma. Quando se viu forçado a escolher entre confiar nos sentidos ou na razão, escolheu a razão. Essa inabalável crença na razão humana recebeu o nome de racionalismo. Um racionalista é alguém que acredita que a razão humana é a fonte primária de nosso conhecimento do mundo.

Heráclito
Um contemporâneo de Parmênides foi Heráclito (c. 540-480 a.C.), que era de Éfeso, na Ásia Menor. Heráclito propunha que a matéria básica do Universo seria o fogo. Pensava também que a mudança constante, ou o fluxo, seria a característica mais elementar da Natureza. Podemos talvez dizer que Heráclito acreditava mais do que Parmênides naquilo que percebia. Tudo flui, disse Heráclito. Tudo está em fluxo e movimento constante, nada permanece. Por conseguinte, “não entramos duas vezes no mesmo rio”. Quando entro no rio pela segunda vez, nem eu nem o rio somos os mesmos.

Problema: Parmênides e Heráclito defendiam dois pontos principais diametralmente opostos. Parmênides dizia:

a) nada muda,
b) não se deve confiar em nossas percepções sensoriais.
Heráclito, por outro lado, dizia:

a) tudo muda (“todas as coisas fluem”), e
b) podemos confiar em nossas percepções sensoriais.
Quem estava certo? Coube ao siciliano Empédocles (c. 490-430 a.C.) indicar a saída do labirinto.

Como estudioso da physis, Heráclito acreditava que o fogo era a origem das coisas naturais.

Empédocles
Ele achava que os dois estavam certos:

1. A água não poderia, evidentemente, transformar um peixe em uma borboleta. Com efeito, a água não pode mudar. Água pura irá continuar sendo água pura. Por isso, Parmênides estava certo ao sustentar que “nada muda”.
2. Mas, ao mesmo tempo, Heráclito também estava certo em achar que devemos confiar em nossos sentidos. Devemos acreditar naquilo que vemos, e o que vemos é precisamente que a Natureza muda.
3. Solução - Empédocles concluiu que o que precisava ser rejeitado era a idéia de uma substância básica única. Nem a água nem o ar sozinhos podem se transformar em uma roseira ou uma borboleta. Não é possível que a fonte da Natureza seja um único “elemento”. Empédocles acreditava que a Natureza consistiria em quatro elementos, ou “raízes”, como os denominou. Essas quatro raízes seriam a terra, o ar, o fogo e a água.
A - Como ou por que acontecem as transformações que observamos na natureza?

1. todas as coisas seriam misturas de terra, ar, fogo e água, mas em proporções variadas. Assim as diferentes coisas que existem seriam os processos naturais gerados pela aproximação e à separação desses quatro elementos.
2. Quando uma flor ou um animal morrem, disse Empédocles, os quatro elementos voltam a se separar. Podemos registrar essas mudanças a olho nu. Mas a terra e o ar, o fogo e a água permaneceriam eternos, “intocados” por todos os componentes dos quais fazem parte. Dessa maneira, não é correto dizer que “tudo” muda.
3. Basicamente, nada mudaria. O que ocorre é que os quatro elementos se combinariam e se separariam - para se combinarem de novo, em um ciclo. B - O que faria esses elementos se combinarem de tal modo que fizessem surgir uma nova vida? E o que faria a “mistura”, digamos, de uma flor se dissolver de novo? Empédocles pensava que haveria duas forças diferentes atuando na Natureza. Ele as chamou de amor e discórdia. Amor uniria as coisas, a discórdia as separaria.
[editar] Demócrito e a Teoria Atômica
Para Demócrito, as transformações que se pode observar na natureza não significavam que algo realmente se transformava. Ele acreditava que todas as coisas eram formadas por uma infinidade de "pedrinhas minúsculas, invisíveis, cada uma delas sendo eterna, imutável e indivisível". A estas unidades mínimas deu o nome de ÁTOMOS. Átomo significa indivisível, cada coisa que existe é formada por uma infinidade dessas unidades indivisíveis. "Isto porque se os átomos também fossem passíveis de desintegração e pudessem ser divididas em unidades ainda menores, a natureza acabaria por diluir-se totalmente". Exemplo: se um corpo – de uma árvore ou animal, morre e se decompõe, seus átomos se espalham e podem ser reaproveitados para dar origem a outros corpos.

Xenófanes de Colofon
Originário da Jônia, viveu no sul da Itália. Precursor do pensamento dos Eleatas. Para ele a Physis era a terra. Escreveu em estilo poético. Defendeu a idéia de um Deus único. Tinha influência Pitagórica.

Xenófanes, de Colofão -(século IV a. C) atribui-se a ele a fundação da escola de Eléia. Levou vida errante, passou parte dela em Sicília, tendo fugido de sua terra natal por causa da invasão dos medas. Alguns duvidam de sua ligação com Eléia. Em seus fragmentos defendeu um deus único, supremo, que não tinha a forma de homem. Realçou isso afirmando que os homens atribuem aos deuses características semelhantes a eles mesmos, que mudam de acordo com o povo. Se os animais tivessem mãos para realizarem obras, colocariam nos deuses suas características. Restaram de suas obras alguns fragmentos, sendo que uns satíricos. Foi contra a grande influência de Hesíodo e Homero (historiador e escritor gregos). Zombou dos atletas, preferindo a sua sabedoria aos feitos atléticos, que não enchiam celeiros. O deus segundo Xenófanes está implantado em todas as coisas, o todo é um, e é supra-sensível, imutável, sem começo, meio ou fim. Teve como discípulo Parmênides.
Segundo Hegel os gregos tinham apenas o mundo sensível diante de si, e não encontravam satisfação nisso. Assim jogavam tudo fora como sendo não verdadeiro, e chegavam ao pensamento puro. O infinito, Deus, é um só, pois se fosse dois haveria a finitude. Hegel identifica a dialética* em Xenófanes, uma consciência da essência, pura, e outra de opinião, uma sobrepondo a outra, indo contra a mitologia grega

Escolas Italianas
Pitágoras de Samos
Representada por Pitágoras e seus seguidores ... O que se conhece de Pitágoras pertence mais ao mundo da lenda que à realidade. Defendia uma doutrina mais religiosa do que filosófica. O ponto central de sua doutrina religiosa é a crença na transmigração das almas.

Pitágoras, o fundador da escola pitagórica, nasceu em Samos pelos anos 571-70 a.C. Em 532-31 foi para a Itália, na Magna Grécia, e fundou em Crotona, colônia grega, uma associação científico-ético-política, que foi o centro de irradiação da escola e encontrou partidários entre os gregos da Itália meridional e da Sicília. Pitágoras aspirava - e também conseguiu - a fazer com que a educação ética da escola se ampliasse e se tornasse reforma política; isto, porém, levantou oposições contra ele e foi constrangido a deixar Crotona, mudando-se para Metaponto, aí morrendo provavelmente em 497-96 a.C.

Escola Eleática
Representada principalmente por:

Alcmeão de Crotona Filho de Peirithoos, é um dos principais discípulos de Pitágoras. Foi jovem quando seu mestre já era avançado em anos. Seu interesse principal dirigia-se á Medicina, de que resultou a sua doutrina sobre o problema dos sentidos e da percepção. Alcmeão disse que só os deuses tem um conhecimento certo, aos homens só presumir é permitido.
Parmênides de Eléia O acme de sua existência foi por volta de 500 a.C. Foi ele o primeiro a demonstrar a esfericidade da Terra e sua posição no centro do mundo. Segundo ele, existem dois elementos: o fogo e a terra. O primeiro elemento é criador, o segundo é matéria. Os homens nasceram da terra. Trazem em si o calor e o frio, que entram na composição de todas as coisas. O espírito e a alma sao para ele uma única e a mesma coisa. Ha dois tipos de filosofia, uma se refere a verdade e a outra a opinião.
Zenão
Melisso

Segunda Fase do pensamento pré-socrático

Empédocles de Agrigento
Doutrina dos quatro elementos (fogo, água, terra e ar) ...

Leucipo
Escola atomista.

[editar] Demócrito
Escola atomista.

[editar] Anaxágoras de Clazômena
Doutrina das Homeomerias

Anaxágoras de Clazômenas (Clazômenas, c. 500 a.C. - Lâmpsaco, 428 a.C.), filósofo grego do período pré-socrático. Nascido em Clazômenas, na Jônia, fundou a primeira escola filosófica de Atenas, contribuindo para a expansão do pensamento filosófico e científico que era desenvolvido nas cidades gregas da Ásia. Era protegido de Péricles que também era seu discípulo. Em 431 a.C. foi acusado de impiedade e partiu para Lâmpsaco, uma colônia de Mileto, também na Jônia, e lá fundou uma nova escola.

Escreveu um tratado aparentemente pequeno intitulado Sobre a natureza, em que tentava conciliar a existência do múltiplo frente à crítica de Parmênides de Eléia e sua escola. Afirmava que o universo se constitui pela ação do Nous (νοῦς), conceito que geralmente é traduzido por espírito, mente ou inteligência. Segundo o filósofo, o Nous atua sobre uma mistura inicial formada de sementes que contém uma porção de cada coisa. Assim, o Nous, que é ilimitado, autônomo e não misturado com nada mais, age sobre estas sementes ordenando-as e constituindo o mundo sensível. Os fragmentos preservados versam sobre: cosmologia, biologia e percepção. Esta noção de causa inteligente, que estabelece uma finalidade na evolução universal, irá repercutir em filósofos posteriores, como Platão e Aristóteles.

Anaxágoras aparece ao lado de Pitágoras no quadro Escola de Atenas de Rafael, segurando a tableta com o número triangular 1+2+3+4, a sagrada tetractys dos Pitagóricos.


Os Pré-Socráticos
Dualismo Grego
A característica fundamental do pensamento grego está na solução dualista do problema metafísico-teológico, isto é, na solução das relações entre a realidade empírica e o Absoluto que a explique, entre o mundo e Deus, em que Deus e mundo ficam separados um do outro. Conseqüência desse dualismo é o irracionalismo, em que fatalmente finaliza a serena concepção grega do mundo e da vida. O mundo real dos indivíduos e do vir-a-ser depende do princípio eterno da matéria obscura, que tende para Deus como o imperfeito para o perfeito; assimila em parte, a racionalidade de Deus, mas nunca pode chegar até ele porque dele não deriva. E a conseqüência desse irracionalismo outra não pode ser senão o pessimismo: um pessimismo desesperado, porque o grego tinha conhecimento de um absoluto racional, de Deus, mas estava também convicto de que ele não cuida do mundo e da humanidade, que não criou, não conhece, nem governa; e pensava, pelo contrário, que a humanidade é governada pelo Fado, pelo Destino, a saber, pela necessidade irracional. O último remédio desse mal da existência será procurado no ascetismo, considerando-o como a solidão interior e a indiferença heróica para com tudo, a resignação e a renúncia absoluta.

O Gênio Grego
A característica do gênio filosófico grego pode-se compendiar em alguns traços fundamentais: racionalismo, ou seja, a consciência do valor supremo do conhecimento racional; esse racionalismo não é, porém, abstrato, absoluto, mas se integra na experiência, no conhecimento sensível; o conhecimento, pois, não é fechado em si mesmo, mas aberto para o ser, é apreensão (realismo); e esse realismo não se restringe ao âmbito da experiência, mas a transpõe, a transcende para o absoluto, do mundo a Deus, sem o qual o mundo não tem explicação; embora, para os gregos, o "conhecer" - a contemplação, o teorético, o intelecto - tenham a primazia sobre o "operar" - a ação, o prático, a vontade - o segundo elemento todavia, não é anulado pelo primeiro, mas está a ele subordinado; e o otimismo grego, conseqüência lógica do seu próprio racionalismo, cederá lugar ao pessimismo, quando se manifestar toda a irracionalidade da realidade, quando o realismo impuser tal concepção. Todos esses elementos vêm sendo, ainda, organizados numa síntese insuperável, numa unidade harmônica, realizada por meio de um desenvolvimento também harmônico, aperfeiçoado mediante uma crítica profunda. Entre as raças gregas, a cultura, a filosofia são devidas, sobretudo, aos jônios, sendo jônios também os atenienses.

Divisão da História da Filosofia Grega
Os Períodos Principais do Pensamento Grego
Consoante a ordem cronológica e a marcha evolutiva das idéias pode dividir-se a história da filosofia grega em três períodos:
I. Período pré-socrático (séc. VII-V a.C.) - Problemas cosmológicos. Período Naturalista: pré-socrático, em que o interesse filosófico é voltado para o mundo da natureza;

II. Período socrático (séc. IV a.C.) - Problemas metafísicos. Período Sistemático ou Antropológico: o período mais importante da história do pensamento grego (Sócrates, Platão, Aristóteles), em que o interesse pela natureza é integrado com o interesse pelo espírito e são construídos os maiores sistemas filosóficos, culminando com Aristóteles;

III. Período pós-socrático (séc. IV a.C. - VI p.C.) - Problemas morais. Período Ético: em que o interesse filosófico é voltado para os problemas morais, decaindo entretanto a metafísica;

IV. Período Religioso: assim chamado pela importância dada à religião, para resolver o problema da vida, que a razão não resolve integralmente. O primeiro período é de formação, o segundo de apogeu, o terceiro de decadência.

Primeiro Período
O primeiro período do pensamento grego toma a denominação substancial de período naturalista, porque a nascente especulação dos filósofos é instintivamente voltada para o mundo exterior, julgando-se encontrar aí também o princípio unitário de todas as coisas; e toma, outrossim, a denominação cronológica de período pré-socrático, porque precede Sócrates e os sofistas, que marcam uma mudança e um desenvolvimento e, por conseguinte, o começo de um novo período na história do pensamento grego. Esse primeiro período tem início no alvor do VI século a.C., e termina dois séculos depois, mais ou menos, nos fins do século V. Surge e floresce fora da Grécia propriamente dita, nas prósperas colônias gregas da Ásia Menor, do Egeu (Jônia) e da Itália meridional, da Sicília, favorecido sem dúvida na sua obra crítica e especulativa pelas liberdades democráticas e pelo bem-estar econômico. Os filósofos deste período preocuparam-se quase exclusivamente com os problemas cosmológicos. Estudar o mundo exterior nos elementos que o constituem, na sua origem e nas contínuas mudanças a que está sujeito, é a grande questão que dá a este período seu caráter de unidade. Pelo modo de a encarar e resolver, classificam-se os filósofos que nele floresceram em quatro escolas: Escola Jônica; Escola Itálica; Escola Eleática; Escola Atomística.

Escola Jônica
A Escola Jônica, assim chamada por ter florescido nas colônias jônicas da Ásia Menor, compreende os jônios antigos e os jônios posteriores ou juniores. A escola jônica, é também a primeira do período naturalista, preocupando-se os seus expoentes com achar a substância única, a causa, o princípio do mundo natural vário, múltiplo e mutável. Essa escola floresceu precisamente em Mileto, colônia grega do litoral da Ásia Menor, durante todo o VI século, até a destruição da cidade pelos persas no ano de 494 a.C., prolongando-se porém ainda pelo V século. Os jônicos julgaram encontrar a substância última das coisas em uma matéria única; e pensaram que nessa matéria fosse imanente uma força ativa, de cuja ação derivariam precisamente a variedade, a multiplicidade, a sucessão dos fenômenos na matéria una. Daí ser chamada esta doutrina hilozoísmo (matéria animada). Os jônios antigos consideram o Universo do ponto de vista estático, procurando determinar o elemento primordial, a matéria primitiva de que são compostos todos os seres. Os mais conhecidos são: Tales de Mileto, Anaximandro de Mileto, Anaxímenes de Mileto. Os jônios posteriores distinguem-se dos antigos não só por virem cronologicamente depois, senão principalmente por imprimirem outra orientação aos estudos cosmológicos, encarando o Universo no seu aspecto dinâmico, e procurando resolver o problema do movimento e da transformação dos corpos. Os mais conhecidos são: Heráclito de Éfeso, Empédocles de Agrigento, Anaxágoras de Clazômenas.

Tales de Mileto
(624-548 A.C.) "Água"

Tales de Mileto, fenício de origem, é considerado o fundador da escola jônica. É o mais antigo filósofo grego. Tales não deixou nada escrito mas sabemos que ele ensinava ser a água a substância única de todas as coisas. A terra era concebida como um disco boiando sobre a água, no oceano. Cultivou também as matemáticas e a astronomia, predizendo, pela primeira vez, entre os gregos, os eclipses do sol e da lua. No plano da astronomia, fez estudos sobre solstícios a fim de elaborar um calendário, e examinou o movimento dos astros para orientar a navegação. Provavelmente nada escreveu. Por isso, do seu pensamento só restam interpretações formuladas por outros filósofos que lhe atribuíram uma idéia básica: a de que tudo se origina da água. Segundo Tales, a água, ao se resfriar, torna-se densa e dá origem à terra; ao se aquecer transforma-se em vapor e ar, que retornam como chuva quando novamente esfriados. Desse ciclo de seu movimento (vapor, chuva, rio, mar, terra) nascem as diversas formas de vida, vegetal e animal. A cosmologia de Tales pode ser resumida nas seguintes proposições: A terra flutua sobre a água; A água é a causa material de todas as coisas. Todas as coisas estão cheias de deuses. O imã possui vida, pois atrai o ferro.

Segundo Aristóteles sobre a teoria de Tales: elemento estático e elemento dinâmico. Elemento Estático - a flutuação sobre a água. Elemento Dinâmico - a geração e nutrição de todas as coisas pela água. Tales acreditava em uma "alma do mundo", havia um espírito divino que formava todas as coisas da água. Tales sustentava ser a água a substância de todas as coisas.

Anaximandro de Mileto (611-547 A.C.) "Ápeiron"
Anaximandro de Mileto, geógrafo, matemático, astrônomo e político, discípulo e sucessor de Tales e autor de um tratado Da Natureza, põe como princípio universal uma substância indefinida, o ápeiron (ilimitado), isto é, quantitativamente infinita e qualitativamente indeterminada. Deste ápeiron (ilimitado) primitivo, dotado de vida e imortalidade, por um processo de separação ou "segregação" derivam os diferentes corpos. Supõe também a geração espontânea dos seres vivos e a transformação dos peixes em homens. Anaximandro imagina a terra como um disco suspenso no ar. Eterno, o ápeiron está em constante movimento, e disto resulta uma série de pares opostos - água e fogo, frio e calor, etc. - que constituem o mundo. O ápeiron é assim algo abstrato, que não se fixa diretamente em nenhum elemento palpável da natureza. Com essa concepção, Anaximandro prossegue na mesma via de Tales, porém dando um passo a mais na direção da independência do "princípio" em relação às coisas particulares. Para ele, o princípio da "physis" (natureza) é o ápeiron (ilimitado). Atribui-se a Anaximandro a confecção de um mapa do mundo habitado, a introdução na Grécia do uso do gnômon (relógio de sol) e a medição das distâncias entre as estrelas e o cálculo de sua magnitude (é o iniciador da astronomia grega). Ampliando a visão de Tales, foi o primeiro a formular o conceito de uma lei universal presidindo o processo cósmico total. Diz-se também, que preveniu o povo de Esparta de um terremoto. Anaximandro julga que o elemento primordial seria o indeterminado (ápeiron), infinito e em movimento perpétuo.

Fragmentos
"Imortal...e imperecível (o ilimitado enquanto o divino) - Aristóteles, Física". Esta (a natureza do ilimitado, ele diz que) é sem idade e sem velhice. Hipólito, Refutação.

Anaxímenes de Mileto (588-524 A.C.) "Ar"
Segundo Anaxímenes, a arkhé (comando) que comanda o mundo é o ar, um elemento não tão abstrato como o ápeiron, nem palpável demais como a água. Tudo provém do ar, através de seus movimentos: o ar é respiração e é vida; o fogo é o ar rarefeito; a água, a terra, a pedra são formas cada vez mais condensadas do ar. As diversas coisas que existem, mesmo apresentando qualidades diferentes entre si, reduzem-se a variações quantitativas (mais raro, mais denso) desse único elemento. Atribuindo vida à matéria e identificando a divindade com o elemento primitivo gerador dos seres, os antigos jônios professavam o hilozoísmo e o panteísmo naturalista. Dedicou-se especialmente à meteorologia. Foi o primeiro a afirmar que a Lua recebe sua luz do Sol. Anaxímenes julga que o elemento primordial das coisas é o ar.

Fragmentos
"O contraído e condensado da matéria ele diz que é frio, e o ralo e o frouxo (é assim que ele expressa) é quente". (Plutarco). "Com nossa alma, que é ar, soberanamente nos mantém unidos, assim também todo o cosmo sopro e ar o mantém". (Aécio).

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